Opiniões sobre a renda básica global se espalham pelo mundo. Um salário garantido para cada pessoa, isenta de qualquer trabalho, conquista adeptos entre as grandes fortunas.
Há algo nebuloso no horizonte! Nuvens negras carregadas! Aqui na Flórida, durante os meses frios, quando nos deparamos com uma situação dessas, não conseguimos distinguir entre chuva e uma frente fria. Especialistas e grandes empresários não conseguem afirmar com certeza qual será a solução para o avanço da robótica e da inteligência artificial, que já são uma realidade em nossos dias. Não há mais nada a discutir, as nuvens estão aí, pairando sobre nossas cabeças, e trazendo consigo duas coisas: riqueza para alguns e desigualdade para milhares!
O fato é que estamos no centro de um clima hostil, no qual a maioria das pessoas ainda não sabe definir o que é. Algumas pessoas desavisadas podem pensar que é frio, mas outras afirmam categoricamente que é chuva forte, com ventos capazes de destruir tudo o que estiver à frente.
Este centro hostil diz respeito à quarta revolução industrial. As outras três, todas ou quase todas, sobreviveram aos avanços tecnológicos da época, sem proporções significativas. Diz-se que, naquela época, as economias não eram tão interligadas como são agora. Além disso, hoje essa conjuntura é de ordem global, não mais uma situação nacional ou regional.
Nesta quarta revolução, tudo será mais rápido , porque tudo depende da velocidade dos bytes, da velocidade dos megacomputadores e da inteligência artificial. Precisamos nos proteger o quanto antes, pois, na dúvida, é melhor prevenir do que remediar, do que enfrentar o mau tempo sem a devida proteção.
Não acredito particularmente que o sistema governamental seja a solução para o problema, pois envolve muitos interesses simultaneamente. A solução, a meu ver, está muito mais próxima de uma iniciativa individual e corporativa que tenha a visão e a missão ininterrupta de um ideal. Uma decisão monocrática ou mesmo coletiva, baseada em valores e crenças, seria o caminho mais rápido e fácil para chegar ao cerne da nova revolução trazida pela alta tecnologia, criando uma renda básica global sem grandes dificuldades.
A solução que visa dar a cada cidadão um salário simplesmente por estar vivo, ou seja, a renda básica universal, gera diversos problemas. Cito dois aqui: o primeiro é a expansão do Estado e o segundo é a passividade humana. O Estado nunca foi e nunca será complacente, porque além dos interesses pessoais de seus líderes, dos interesses corporativos e nacionais, existem também interesses internacionais, e isso pode levar a uma forte pressão sobre o governo central.
Para o ser humano, esta é a pior maneira de lidar com seus anseios e suas necessidades mais básicas. A passividade é a posição mais grave de uma pessoa. Quem adota tal postura corre o sério risco de um colapso total, seja pessoal ou coletivo. Foram os desafios que nos trouxeram até aqui. Desafios extremos, a ponto de colocar a própria vida em risco, em busca de uma ideia, uma solução, uma descoberta.
Existe um sentimento predominante em qualquer forma de governo, chamado egoísmo, e para eles, quanto mais distante for a discussão sobre renda básica global, melhor. Esse sentimento está presente nos governos porque eles são compostos por pessoas, e a maioria das pessoas está contaminada por esse vírus. Nenhuma praga mata mais do que o egoísmo. Portanto, ele continuará matando se não aplicarmos a vacina definitiva o mais rápido possível.
Haverá desigualdade como nunca antes na história da humanidade, e ela não virá como uma carroça puxada por cavalos, para desespero de alguns. Se assim for, poderíamos nos preparar para sua chegada, tomando um banho, fazendo café e conversando longamente à mesa. O processo está pronto e sua aplicação afetará pessoas ao redor do mundo muito rapidamente.
A questão de apoiar pessoas que sairão perdendo com a inteligência artificial e a globalização tem sido tema de debate entre muitos pesquisadores. No entanto, eles não têm o poder de convencer um empreendedor a fazer mais pelos outros simplesmente porque acreditam que essas pessoas saíram perdendo, pois para eles, perder e ganhar faz parte do jogo do mercado, e, nesse caso, uma renda básica global está fora de questão. Como disse o ex-presidente Kennedy sobre os Estados Unidos: "Nosso negócio é fazer negócios". Quando isso predomina, perder e ganhar é normal e perfeitamente aceitável.
Vivemos uma epidemia de egoísmo, e não haverá solução sem vacinas. Se observarmos atentamente as crianças, poucas delas estão dispostas a compartilhar seus brinquedos com os outros. Há quem vá ao shopping e gaste uma fortuna em uma única loja. Há quem prefira deixar sua herança para um gato em vez de para um ser humano. Precisamos urgentemente nos vacinar, se adultos, ou cultivar a compaixão, se crianças.
Como todos são suscetíveis ao vírus, a boa notícia é que todos também são imunes a ele. Basta saber como usar seu poder gratuito para eliminar de vez esse vírus mortal que impede milhares de pessoas de viverem uma vida saudável, justa e plena. Essa vacina se chama generosidade. Com ela, as ambições mais elevadas são desarmadas e adiadas em detrimento do bem comum.
A solução reside em compreender que posso ser próspero e meu vizinho também. Posso ser próspero e ainda assim ser um camponês. A solução reside em acreditar que isso é possível e agir generosamente para que isso se estabeleça como verdade absoluta e não como uma filosofia de interesses.
Por exemplo, a ONU, uma organização tendenciosa e irrelevante, arrecada bilhões dos nossos bolsos para resolver esses problemas e conscientizar as pessoas, enquanto organizações humanitárias independentes têm feito mais pelo povo do que esse braço de governos controversos. Em defesa de interesses obscuros, agem de forma a resolver questões morais humanas por meio de um conceito humanista ambíguo, desprovido de clareza e verdade.
Todos têm uma opinião e um ponto de vista sobre essa renda básica global, mas ninguém ainda tomou uma posição definitiva sobre o assunto, com exceção de alguns países escandinavos, que estão revendo sua decisão devido aos inúmeros problemas decorrentes da passividade de seus beneficiários.
A verdade é evidente e precisa ser vista de frente: cada pessoa deve ter pelo menos alguma forma de envolvimento que a torne útil e produtiva. Sem valorização e comprometimento pessoal, não pode haver solução para o problema da renda básica.
O que permite a uma família sobreviver no deserto? É um fato simples: viver com amor e generosidade. Porque o que é de um é de todos.
Há um exemplo muito bem-sucedido na chamada igreja cristã primitiva. Em nome do bem comum, os mais ricos ajudavam os mais pobres a viver e a ter aquilo com que sempre sonharam: uma vida equilibrada, justa, digna e esperançosa.
Somente através da generosidade podemos quebrar o ciclo da desigualdade, que de geração em geração cria milionários sem propósito e pobres sem esperança. Lembro-me de Eike Batista respondendo a uma pergunta sobre aonde queria chegar: "Quero ser o homem mais rico do mundo". Para quê? "Apenas para ser", era o que se entendia. Este é o vírus humano mais perverso.
O sistema americano é implacável com os pobres, pois são eles que pagam as contas, mas que podem ser levados de volta a um sistema de extravagância. Todos queremos dinheiro, mas poucos querem compartilhá-lo. Então, que tal compartilhar para que você também possa ter? Que tal plantar para colher?
Os sistemas se preparam para receber, mas nunca para dar. Dar não faz parte do escopo da filosofia. Quanto mais eu puder extrair de alguém, mais venerado serei, e assim por diante, numa busca insaciável para alcançar o patamar dos bilionários.
Não vejo necessidade de ter um iate de luxo e não poder aproveitá-lo semanalmente ou mensalmente. Com uma renda média, posso alugar um por alguns dias quando tiver disponibilidade. Além disso, não quero perder dinheiro mantendo-o parado por tanto tempo só para poder dizer que tenho o barco dos sonhos de muita gente.
Compartilhar é a moda do futuro. Praticamente todos nós aprendemos a ser solidários uns com os outros desde a infância. No entanto, infelizmente, o sistema nos pressionou e, com suas táticas impiedosas, nos tornou insensíveis e indiferentes às necessidades das pessoas.
Hoje, compartilhamos nossas casas no Airbnb, nossos carros no Uber e nossa privacidade nas redes sociais. Também compartilhamos nosso dinheiro para financiar o sistema. No entanto, acontece que financiar o sistema não traz benefícios para as pessoas no fim da linha, porque esse mesmo sistema faz uma escolha específica de quem lhe dará lucro, e lucro imediato, porque, a longo prazo, não se importa com o bem-estar da população.
Então, pouco sabemos sobre o fato de que você e eu compartilhamos nosso dinheiro com outras pessoas. Os bancos fazem isso sem nos dar muitos detalhes sobre o processo. No entanto, se esse método ajudasse outras pessoas a melhorarem suas vidas, seria aceitável. Mas o que acontece é que estamos enriquecendo cada vez mais essas instituições, tornando-as, muitas vezes, cruéis com seus clientes. Assim, como tudo está mudando com a tecnologia, chegou a hora de repensarmos também essa forma de concentração de riqueza.
O governo deu carta branca a essas grandes corporações para que pudessem negociar com pessoas comuns, sem muito conhecimento do sistema, mas ávidas por enriquecer. Isso levou muitos ao sucesso, mas também muitos outros ao fracasso. Megaempresas e salários multimilionários foram criados para CEOs, algo inimaginável para um funcionário. O estado do Oregon impôs um imposto sobre empresas que pagam a seus CEOs cem vezes mais do que ao trabalhador.
Se você não se espanta com o fato de que a maior parte da riqueza do planeta está nas mãos de 3% da população, talvez você faça parte desses 3%, ou talvez não se sensibilize com a desigualdade abissal que existe de um extremo ao outro.
Nos Estados Unidos, a maioria das pessoas não possui casa própria; elas financiam seus imóveis por 30 anos e, ao quitá-los, vendem a casa e financiam novamente. Há muito tempo, as pessoas utilizam energia, água, telefone e televisão por assinatura sem que isso represente um problema. Portanto, o sistema de compartilhamento já existe, e é justamente nessa perspectiva que devemos trilhar para termos um sistema de renda.
Precisamos criar um programa em que todos ganhem, com igualdade de oportunidades, onde o governo se mantenha à parte e onde a passividade humana seja eliminada. Ajudar pessoas que não querem se ajudar e não se importam com as necessidades dos outros não faz sentido. É por isso que a ideia de muitos defensores da Renda Básica Universal não convence e já não desperta confiança. Ela não transforma as pessoas, apenas as utiliza para que o sistema das grandes corporações continue funcionando.
Nossa plataforma possui quatro bases principais, e uma delas é o nosso programa de renda para membros, que, aliás, ocupa o quarto lugar. Isso significa que não é obrigatório; é opcional. Embora nossos planos e bases estejam interligados, eles são distintos entre si, mas com o único propósito de permitir o compartilhamento e gerar transformação para os usuários.
Não acredito que o governo consiga resolver os problemas de renda da população a curto prazo. Este é um problema que deve ser resolvido com a participação de todos. Contudo, como nem todos pensam da mesma forma, em breve cada um fará a sua parte e encontrará a sua maneira de solucionar o problema. O fato é que uma renda básica global está no centro das discussões em grande parte dos fóruns internacionais.
Se você é daqueles que acham que o governo é quem deveria tomar a iniciativa, vale lembrar que na Finlândia o governo manteve um programa piloto com 2 bilhões de pessoas . Eles disseram que não iriam continuar; iriam cancelar o programa porque as pessoas se tornaram passivas diante da possibilidade de obter renda sem nenhum esforço pessoal.
A questão é que não temos tempo; os fatos são reais, o frio ou a chuva chegarão. Resta saber se será hoje ou amanhã, e uma renda básica global será necessária para todas as famílias.
